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quarta-feira, 30 de março de 2011

Deus.

Dom Marcel Lefebvre

A exemplo de Santo Tomás e seguindo-o, nossas considerações serão estabelecidas sobre a fé, sobre a Revelação, e mesmo eventualmente sobre argumentos de razão. “Justus ex fide vivit”: o justo, o santo, vive da fé. Porque a fé trás em si, como que em germe, a visão beatífica, ora, nós fomos criados para esse fim. A fé ilumina nossa inteligência, conferindo-lhe uma sabedoria incomparável.

O primeiro assunto apresentado para estudo na Suma Teológica é Deus. E também o primeiro assunto da oração de Nosso Senhor. “Pai nosso que estais no céu”. É a primeira afirmação do Credo: “Creio em Deus…”, é o primeiro mandamento: “Adorarás a um só Deus”.

Deus é o primeiro bem do homem e é o último, sua origem e seu fim, sua felicidade de todos os dias e da eternidade. Desde os seus primeiros momentos de consciência, a alma da criança deve-se voltar para Deus e desabrochar banhada pelo grande sol de Deus “qui iIluminat omnem hominem venientem in hunc mundum”: “que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo. 1, 9).

Bem-aventurados os anjos que guardaram inscrito em seus corações “ quis ut Deus.”, “quem é como Deus” e que perseveraram na provação.

Bem-aventurada a Virgem Maria, imaculada em sua Conceição, que voltou para sempre sua alma a Deus, desde a mais tenra infância.

Bem-aventurada a alma de Nosso Senhor, iluminada pela visão beatífica desde o instante da Criação.

Por que esta lentidão, por que este atraso, por que esta cegueira no conhecimento do amor de Deus, mesmo em muitos batizados?…

Esta constatação suscita lamentações de Nosso Senhor nos Salmos, nos impropérios da Sexta-feira Santa, no primeiro capítulo de São João. Pode-se dizer que a sua agonia no Jardim das Oliveiras era a comprovação desse ateísmo… O amor não é amado: “Non requirunt Deum”… “Non receperunt”, “Não procuram a Deus”, “Não O receberam”.

Este drama nos deixará indiferentes? Esta realidade da ignorância sobre Deus nos excede. O que podemos fazer? Toda a sociedade moderna leva a esta ignorância. Mas não haveria muito dessa ignorância até mesmo em nós? Fazemos um esforço para meditar em Deus, para nos aproximar desse mistério insondável do “Alpha et Omega”, do “Principium et Finis”, do Mistério do amor manifestado no Verbo Encarnado?

Santo Tomás nos convida a conhecer melhor a Deus em sua unidade, em sua Trindade, em suas obras.

Essa contemplação da Trindade bem-aventurada, que fará nossa felicidade eterna, não poderá, na fé do Espírito Santo, dar-nos um esboço, um eflúvio dessa felicidade?

Eis abaixo, alguns estudos que podem ajudar a completar ou explicar o ensinamento da Suma Teológica de Santo Tomás:

- “O Mistério da Santíssima Trindade”, Pe. Emmanuel

- “Jesus Cristo Ideal do Monge” cap. I, Dom Marmion

- “Lês Perfections Divines” do Pe. Garrigou-Lagrange

- “Commentaires de la Somme Théologique”, Pe. Pegues e Pe. Hugon

- “Lês Noms Divins” do Pe. Lessius.

Não se trata de fazer um estudo teológico, mas de aproximar-nos um pouco da grande realidade de Deus e, diante de seus atributos e suas perfeições infinitas, nos lançarmos em adoração, em humildade, em oblação ardente imitando Jesus Cristo e a Virgem Maria.

Um pouco mais de conhecimento da infinidade de Deus, de sua infinita caridade e misericórdia deveria nos fazer progredir na Caridade de deus, afastar-nos do pecado e nos confirmar na virtude; aliás, é este o caminho que seguiram as almas santas, sob a influência do Espírito de Jesus.

A EXISTÊNCIA DE DEUS

A fé, que é a ciência mais certa, à qual nos referimos, nos ensina a existência de deus: “Credo in unum Deum Patrem Omnipotentem, creatorem coeli et terrae, visibilium et invisibilium”.

Ela nos ensina que Deus é espírito: “Deus spiritu est”, Nosso Senhor o ensinou à Samaritana. É, pois, um Espírito todo poderoso que tudo criou.

Houve um momento em que o mundo não existia, onde somente Deus existia eternamente, em sua santidade e sua felicidade, perfeita e infinita, não tendo nenhuma necessidade de criar. No princípio de sua oração sacerdotal, Jesus faz alusão a esta época: “E agora Pai, glorificar-me-ei com aquela glória que eu tinha junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jô XVII,5).

A fé nos ensina que a razão pode chegar à conclusão da existência de Deus, e São Pedro em sua primeira Epístola (IPÊ I,18) repreende os homens com veemência por não haverem conhecido o verdadeiro deus que se manifesta em suas obras.

Realmente, tudo o que é, tudo o que somos, proclama a existência de Deus e canta suas perfeições divinas. Todo o Antigo Testamento e, particularmente, os Salmos e os Livros Sapienciais cantam a glória do Criador. É por isso que na oração litúrgica e sacerdotal os Salmos têm um lugar primordial.

É bom meditar sobre a criação “ex nihilo sui et subjecti”, feita do nada, pela simples decisão do Criador “qui putas se esse aliquid, cum nihil sit, ipse seducit: se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, ilude-se a si mesmo” (Gal VI,5).

Quanto mais nos aprofundamos nessa realidade, mais ficamos espantados com a onipotência de deus e com nosso nada, com a necessidade de toda criatura ser constantemente sustentada nesta existência, sob pena de desaparecer, de voltar ao nada. É isso que nos ensinam tanto a fé como a filosofia.

Essa meditação e essa constatação deveriam bastar para nos lançar humildemente em adoração profunda, numa atitude imóvel semelhante à imobilidade do próprio Deus. Deveríamos ter uma confiança sem limites naquele que é nosso Tudo e que decidiu nos criar e nos salvar.

Com que devoção e sinceridade deveríamos todas as manhãs, no começo das Matinas, recitar o Salmo XCIV: “Vinde, alegremo-nos… Vinde, adoremos… Seu é o mar pois Ele o fez, e a terra firme que suas mãos formaram, vinde adoremos e prosternemo-nos diante de Deus, choremos diante do Senhor que nos criou, porque Ele é o Senhor nosso Deus e nós somos seu povo e as ovelhas que Ele pastoreia”.

Como não agradecer à Igreja que põe suas palavras em nossos lábios para exprimir os mais profundos sentimentos de nossas almas de criaturas!

Se a criação é um grande mistério, é que Deus é para nós o grande Mistério e o permanecerá eternamente na visão beatífica. “Jamais alguém viu a Deus, senão aquele que vem de Deus”, somente o Verbo e o Espírito Santo vêm Deus, sendo de Deus e um só Deus com o Pai. (Jo VI,46).

Abordar os atributos e perfeições de Deus, realidade espiritual que abrange tudo, que vivifica tudo, que sustenta tudo na existência, só poderá aumentar o Mistério divino, para nossa maior satisfação, edificação e santificação.

Santo Tomás diz: “Quanto mais conhecermos perfeitamente a Deus aqui em baixo, melhor nós compreenderemos que Ele ultrapassa tudo o que a inteligência compreende” (II-II/8/3).

Vindo a fé em socorro da razão para nos convencer da existência de Deus e nos abrindo horizontes maravilhosos sobre a intimidade de deus pela Revelação e, sobretudo, pela Encarnação do Verbo divino, devemos interroga-la para saber se podemos dar a Deus um nome que será próprio de Deus e nos ajudará a melhor conhecê-lo.

Ora, é precisamente o que Deus fez, tanto no Antigo Testamento como no novo. Disse Moisés: “Eu lhes direi, o Deus de vossos pais me enviou a vós. Se eles me perguntarem qual é o seu nome, que lhes responderei? E Deus diz a Moisés: eu sou Aquele que sou. E ele continua: é assim que responderá aos filhos de Israel: Aquele que é, me envia a vós” (Ex III,13-14); assim também Nosso Senhor com os judeus, que lhes dizem: “Vós não tendes ainda cinqüenta anos e vistes Abraão? Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão fosse, eu sou” (Jô VIII,5-9).

Nunca serão suficientemente admiradas essas respostas luminosas que correspondem, aliás, às conclusões de nossa razão. “Deus é”, Ele é “ens a se”, o ser por Ele mesmo; todos os outros seres são “ab alio”, não têm sua razão de ser por eles mesmos.

Essas afirmações simples são uma fonte de meditação e de santificação interminável. Quer seja o olhar sobre Deus que termina no infinito, quer seja a constatação dos laços da criatura ao Criador, ou a visão do nada da criatura, estamos diante do que há de mais verdadeiro, de mais profundo e de mais misterioso em Deus e em nós.

terça-feira, 29 de março de 2011

É Triste!

Eu poderia ficar aqui horas e horas falando sobre muitos erros que vejo vindo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Mas, ver o que acontece é tão triste que chega a ser desgastante! Todos os anos eles inventam essa ridícula Campanha da Fraternidade. Por que eles se preocupam tanto com a "Mãe Terra" que geme em dores de parto e não com as almas que estão sendo perdidas? Triste! Muito, muito Triste!

Esse é o Cartaz da CF 2011.



Esse é o Cartaz que eu criei...



"Nossa Igreja, Senhor, geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor? Ou Simplesmente HERESIA?! Vai depender só de Nós! Vai depender só de Nós!"

Que Deus ilumine os corações de todos os católicos do Brasil e do Mundo, para que, todos os dias, saibam distinguir cada coisa. Fazei Senhor que a verdade seja mostrada a cada um de nós, e que possamos seguí-la, sendo tu a verdade eterna! 

Sancta Dei Génetrix, ora pro Nobis!

Augusto Cesar.
(Magistri Officiorum Dei Ecclesiae Catholica)

segunda-feira, 28 de março de 2011

A nudez espiritual - é um mal terrível.



É terrível o mal incurável...
O mal daquele que não fala, não tem cura ou é dificilmente curável...

Aquele que é espiritualmente mudo, tem dúvidas contra a fé e nada diz... Tem a alma cheia de pecados e não os confessa... Tem dificuldades de crer e não as expõe...

A cura dessa alma é impossível, ou pelo menos, muito difícil...

É necessário uma especial intervenção de Jesus; é indispensável um milagre de ordem moral.

Essa intervenção, esse milagre nos o obteremos por meio da oração.

Apresentemo-la a Jesus, quando visitarmos o Santíssimo Sacramento, quando assistirmos à Santa Missa, quando praticarmos outros atos de piedade.

Não desanimemos. A conversão de um pecador, mudo, indiferente, não é obra de um dia: perseveremos na oração. Santo Agostinho se converteu depois de muitos anos. Santa Mônica perseverou na oração... Depois de quatorze anos de lágrimas e de preces, abraçou o filho convertido.

O demônio mudo é o demônio que cala pecados graves na confissão. esses sacrilégios endurecem a alma e a tornam cada vez mais incurável. O último estado de uma alma sacrílega é o endurecimento, a insensibilidade, a obstinação. A conversão de um homem que abusou dos sacramentos, exige uma graça especial de Deus. Só Cristo pode arrancar do sepulcro este Lázaro morto e apodrecido.

Detestemos o demônio mudo. Rezemos... Sejamos sinceros na confissão... Exponhamos as dúvidas que nos assaltam... Manifestemos as nossas moléstias espirituais... Falando, recuperaremos a saúde da alma, cresceremos na virtude, obteremos a desejada perfeição.

Missal Dominical Popular

quinta-feira, 24 de março de 2011

Transfiguração.


Como é bom estarmos aqui - disse Pedro arrebatado, diante do quadro que contemplava, lembrando aos cristãos o dever de desejarem o céu e para ele trabalharem.

O soldado deve acompanhar o seu chefe na luta e na vitória...
O cristão é soldado de Cristo: a vida do homem é uma luta... Trabalha como um bom soldado de Cristo...
Os membros acompanham a cabeça...
O cristão é mebro de Cristo, cabeça da igreja.

A terra é um exílio...
O exilado deve viver a pátria...
O Cristão deve trabalhar para o céu.
O céu é um um prêmio, uma recompensa destinada aos que combatem: combati o bom combate.

Esse combate não é um conselho, é um dever para o cristão: a isto se obrigou no dia do batismo...

O combate espiritual supõe trabalho e trabalho constante: o que perseverar até o fim, este será salvo. trabalhai como um bom soldado de Cristo.

Trabalhar para o céu é fugir do pecado, é praticar a virtude; é fugir das obras da carne: inimizades, dissensões, invejas, querelas, embriaguez, impureza, etc. É observar mandamentos... Se queres obter a vida eterna... É fazer tudo para a glória de Deus; é sofrer em união com Cristo.

O tempo da Quaresma não é somente um tempo de jejuns e orações; é também um tempo de recollhimento e reflexões. Refleti sobre os motivos que tem para desejares o céu. Esta reflexão vos levará a desejá-lo com ardor e a trabalhar com coragem para conseguí-lo.

Missal Dominical Popular.

domingo, 20 de março de 2011

São José.

19 de Março - Dia de São José.

José é um personagem célebre do Novo Testamento bíblico, marido da mãe de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judéia, no século I a.C., era pertencente à tribo de Judá e descendente do rei Davi de Israel. No catolicismo, ele é considerado um santo e chamado de São José.

Segundo a tradição, José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus, que era uma das consagradas do Templo de Jerusalém, e passou a morar com ela e sua família em Nazaré, uma localidade da Galiléia. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado seu filho.

São José é um dos santos mais populares da Igreja Católica, tendo sido proclamado "protetor da Igreja católica romana"; por seu ofício, "padroeiro dos trabalhadores" e, pela fidelidade a sua esposa, como "padroeiro das famílias", sendo também padroeiro de muitas igrejas e lugares do mundo.

Oração:

A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

Sancti Ioseph, ora pro Nobis!

quarta-feira, 16 de março de 2011

A tentação é necessária e providencial.


O cristão é soldado... O soldado se forma lutando...
O céu é uma recompensa destinada a quem vence... Sem lutas não há vitórias...
Cristo quis ser tentado para nos dar exemplo... Para que sigamos os seus exemplos.
Tentados foram todos os santos... Não somos melhores do que eles...
Para vencermos as tentações recorramos ao jejum e à oração...
Vençamos o tentador, opondo-lhe a palavra inspirada da Escritura...

Quando o demônio nos arrasta a procurar só o pão material: os prazeres da carne, as riquezas... Reflitamos sobre o que está escrito: não é só do pão material que vive o homem, mas também do pão espiritual... Tentados a procurar honras... Lembremo-nos que a maior honra é servir a Deus: servir a Deus é reinar... Quando o inimigo nos quer sugestionar, mostrando-nos as riquezas da terra, não nos prostemos diante deste ídolo de ouro... Todas as riquezas da terra nada valem em comparação a Deus, a quem devemos amar e servir... Adorarás ao Senhor teu Deus.
Vencer o demônio que nos oferece prazeres, honras e riquezasm é vencê-lo em toda a linha... A vitória é completa...
Os anjos confortam a Jesus...
Depois da luta vitoriosa, Jesus nos conforta... A paz da consciência é o prêmio que nos dá nesta vida...
Depois da vitória final teremos o grande prêmio: a coroa eterna...
O conforto nas lutas nos vem do Santo Sacramento da Eucaristia...

A Santa Comunhão é o mais poderoso meio de vencermos todos os inimigos... Vamos a Jesus... Recebamo-lo com fé viva, com ardor... Unidos a Jesus, seremos invencíveis... A união com Jesus nesta terra é o prelúdio da nossa união perfeita com ele, no céu.

Missal Dominical Popular.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O que pede o Tempo da Quaresma.

Na Quaresma, é comum encontrarmos imagens cobertas por mantos de cor roxa: sentido de penitência.
 
Navegando na internet encontrei no Evangelho de Mateus exatamente o que é pedido a nós no período quaresmal. Vejamos:

Evangelho Segundo São Mateus 6,1-6.16-18.

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.

São Leão Magno - papa, doutor da Igreja.
X Homilia para a Quaresma.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quaresma.

Tempo da Quaresma

A quaresma tem seu inicio na quarta-feira de cinzas e seu término ocorre na quinta-feira santa, até a celebração da Missa da Ceia do Senhor Jesus Cristo com os doze apóstolos... os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.


Quarenta Dias

O tempo da quaresma é de quarenta dias, porém em dias corridos somam quarenta e sete pois, de acordo com o cristianismo, o domingo, que já é dedicado como o dia do Senhor, durante a quaresma não é contado. Após esse período, se inicia o Tríduo Pascal, que termina no Domingo de Páscoa.Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.


Tempo de Oração

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e algumas protestantes marcam para preparar os fiéis para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como filhos de Deus.

A Igreja Católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na Quarta-feira de Cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quaresma

terça-feira, 8 de março de 2011

Quarta-Feira de Cinzas.


A Quarta-Feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário Cristão Ocidental. As Cinzas que os cristãos católicos recebem na cabeça neste dia, é um símbolo para a reflexão sobre o dever de fazermos penitência, sobre arrependimento e conversão, sobre a mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

Segundo o estudo da escatologia a morte não vem de Deus, a morte acontece proveniente de nossos atos perante a sociedade. O tempo Quaresmal é um momento reflexivo de cada um, momento no qual fazemos o nosso exame de consciência e procuramos melhorar diante de Deus e do próximo. Deveríamos ser assim durante todo o ano, não só no período quaresmal. É preciso lutar pela santidade, e não esperar que ela chegue até nós.

A quarta-feira de cinzas ocorre quarenta dias antes da Páscoa, dando início então, ao tempo mais importante da igreja, tempo que nos lembra do verdadeiro sentido da fé em Cristo, que se entregou a cruz por nós ao Pai. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.

Missas são realizadas tradicionalmente nesse dia nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que a reza. O padre marca a testa de cada celebrante com cinzas, deixando uma marca que o cristão normalmente deixa em sua testa até ao pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia). Ao impor as cinzas o padre diz: “Lembra-Te homem que és pó e ao pó retornarás”. A cor roxa é usada nesse tempo.

No Catolicismo Romano é um dia de jejum e abstinência.
Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após do carnaval.

Augusto Cesar
(Magistri Officiorum Dei Ecclesiae Catholica)

domingo, 6 de março de 2011

Tudo acontece. As vezes é Inevitável.

Salve Maria!

Um dia se foi, mais uma etapa cumprida!
Fiz tanta coisa... E em meio as "paradas", pude pensar bastante no que estava ao meu redor, no que eu estava fazendo, no que as pessoas estavam pensando, enfim.
Eu não sabia bem como começar esse post, achei muito complicado me expressar aqui para os leitores, mas tentar não custa.

Em meio a todos os ensinamentos que tenho, a cada dia fico mais supreso com as coisas que aparecem na minha vida: coisas para eu ver, coisas para eu sentir, coisas para eu viver. Fico ainda mais surpreso quando fico sabendo do que ocorre na Santa Igreja.

Como católico praticante, estudo de tudo um pouco sobre a Santa Madre Igreja Católica, que é a minha casa, e é onde tenho um contato maior com Deus. É onde posso subir ao calvário com a Sempre Virgem Maria, para junto dela, sentir os sofrimentos que o Meu Senhor e Salvador Jesus Cristo sentiu.

Essa semana que passou pude perceber que muitos católicos vão a Missa somente por ir. Dizem que é legal, dizem que é animada, dizem muitas outras coisas. Quando um de nós fala da tradição da Igreja, nos chamam logo de "bitolados" ou "fanáticos" por algo morto. A tradição da igreja não é algo morto, pelo contrário, é algo bem vivo onde as pessoas ao assistirem a Santa Missa, veem a santidade do sacerdote, e assim, buscam sua santidade em meio a sociedade. Eles se doam e desfrutam de todas as bênçãos obtidas na Missa.

Quando apontamos os erros do modernismo para um modernista, estamos cavando a nossa própria cova. Por que é tão difícil das pessoas entenderem o que realmente é certo? Eu fico indignado quando alguém vem dizer para mim que a Santa Missa Tridentina não é válida. E tudo que o Sante Padre Papa Bento XVI vem dizendo? E o Motu Proprio Summorum Pontificum? E sobre a Missa Tridentina ser A Missa por EXCELÊNCIA? E todos os erros que a Missa Nova apresenta a cada um de nós? Somos cegos ou não queremos enxergar? Começando pelas traduções deturpadas!

Agora me digam: o que há de errado com "o povo"? Como eu disse em um dos posts mais antigos: as pessoas podem se livrar do erro, mas por que não o fazem? É gostoso saber do certo e fazer o errado? E pior: se acham certos mas nem sabem do que a Santa Igreja tem passado. É triste. Muito, muito triste!

Essa semana que passou eu tive um mero desentendimento com uma pessoa que dizia coisas contraditórias em relação a Igreja Católica. Essa pessoa é da Renovação Carismática Católica (RCC) e me perguntou se eu ia a um retiro de uma diocese totalmente da RCC e da TL. Dizendo Eu que não, essa pessoa começou a me afrontar dizendo que eu preferia algo morto como a Tradição da Igreja e a Missa Tridentina, e ainda teve a coragem de me chamar de esnobe e lezado por não achar a mínima graça nem na RCC e nem muito menos nesse retiro ORDINÁRIO que acontece todos os anos no carnaval! O menino não tinha nem argumentos de defesa para com a diocese, ainda teve a audácia de dizer que quem abriu o Concílio Vaticano II foi Paulo VI (kkkkkkkkkk) e não João XXIII. Eu posso com isso? Estou me sentindo perseguido como o próprio Cristo foi. Ele ainda me disse com plena certeza que a igreja é santa e pecadora. Ora, como a Igreja é santa e pecadora se ela é assistida pelo Espírito Santo? Seria ele pecador? Óbvio que não! A Igreja é santa! Pecadores são as pessoas que a frequentam. Como posso debater com uma pessoa assim? Não posso! Essa é a resposta.

Hoje fui a Santa Missa Tridentina, celebramos o Domingo da Quinquagésima - Pré-Quaresma. Simplesmente a coisa mais linda!
Lembremos que nessa Quaresma, é dever de todo cristão, e pedido de Deus, que façamos penitência.
Peçamos perdão dos pecados dos outros, dos que já morreram e também dos nossos.

Que Deus em sua infinita misericórdia perdoe a cada um de Nós de um modo especial, e perdoe a todos aqueles que tapam seus olhos, ouvidos e boca para o que Deus tem a dizer e também aqueles que não se preocupam em buscar a sua santidade.
Que tenhamos uma boa Quaresma!

Sancta Dei Génetrix, ora pro Nobis!

Augusto Cesar.
(Magistri Officiorum Dei Ecclesiae Catholica).

sexta-feira, 4 de março de 2011

Vós sois o Cristo.

Santo Agostinho

Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu bem-amado de uma beleza maravilhosa, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, minha preclara sapiência, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação.

Ó Jesus Cristo, amável, Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa além de Vós? Onde estava eu quando não pensava em Vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a Vós e por Vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; oh! apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade Aquele que procurais. Ó Jesus, anátema seja quem não Vos ama. Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo o coração dignamente consagrado à vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em Vós meu coração desfaleça, e sede Vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o íntimo de meu ser, e abrase o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de Vós inteiramente consumido em vosso amor. Assim seja.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Ministros" Extraordinários?


Infelizmente certos setores do clero católico vêm regularmente desobedecendo às ordens do Papa em muitos aspectos da liturgia. O objetivo deles é claro: eles desejam diminuir o valor do sacerdócio e a sacralidade da ação litúrgica da Igreja.

Um dos instrumentos que mais têm sido usados para este torpe objetivo é o abuso regular e habitual dos chamados ministérios extraordinários. Os ministérios extraordinários são autorizações especiais que podem em raras ocasiões, por motivo de extrema necessidade, ser dadas a leigos para que ele cumpram algumas funções reservadas aos sacerdotes. Ao usar de forma habitual (logo irregular) estes chamados ministros extraordinários, a distinção querida por Deus entre sacerdote e fiel é diminuída, à semelhança do que queria Coré (Nm 16) e do que nos avisava São Judas (Jd 11) para que não fosse feito.

Dentre os ministérios extraordinários que podem em ocasiões especiais ser deputados a leigos, figura em lugar de destaque no rol dos abusos o ministério da Sagrada Comunhão (distribuição do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo). Vejamos pois o que diz a Lei da Igreja acerca deste ministério extraordinário:

Na instrução "Inaestimabile donum", da Sagrada Congregação para os Sacramentos e o Culto Divino, emitida em 3.IV.1980, lemos que "Os fiéis, sejam religiosos ou leigos, que são autorizados como ministros extraordinários da Eucaristia só podem distribuir a Comunhão quando não há padre, diácono ou acólito, quando o padre está impedido por doença ou por idade avançada, ou quando o número de fiéis a receber a Comunhão é tão grande que torne a celebração da Missa excessivamente longa." (#10)

Na recente "Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes", de 13.VIII.1997, o Santo Padre João Paulo II ordena:

"Artigo 8: §1. A disciplina canônica sobre o ministro extraordinário da sagrada comunhão deve, porém, ser corretamente aplicada para não gerar confusão. Ela estabelece que ministros ordinários da sagrada comunhão são o Bispo, o presbítero e o diácono, enquanto é ministro extraordinário o acólito instituído ou o fiel para tanto deputado conforme a norma do cân. 230, §3.

(...)

§2. Para que o ministro extraordinário, durante a celebração eucarística, possa distribuir a sagrada comunhão, é necessário ou que não estejam presentes ministros ordinários ou que estes, embora presentes, estejam realmente impedidos. Pode igualmente desempenhar o mesmo encargo quando, por causa da participação particularmente numerosa dos fiéis que desejam receber a Santa Comunhão, a celebração eucarística prolongar-se-ia excessivamente por causa da insuficiência de ministros ordinários.

Este encargo é supletivo e extraordinário e deve ser exercido segundo a norma do direito. (...)

Para não gerar confusão, devem-se evitar e remover algumas práticas que há algum tempo foram introduzidas em algumas Igrejas particulares, como por exemplo:

(...)

- o uso habitual de ministros extraordinários nas Santas Missas, estendendo arbitrariamente o conceito de « numerosa participação ».

(...)

São revogadas as leis particulares e os costumes vigentes, que sejam contrários a estas normas, como igualmente quaisquer eventuais faculdades concedidas ad experimentum pela Santa Sé ou por qualquer outra autoridade a ela subalterna.

O Sumo Pontífice, no dia 13 de Agosto de 1997, aprovou em forma específica a presente Instrução, ordenando a sua promulgação."

Seguem-se assinaturas dos prefeitos e presidentes da Congregação para o Clero, do Conselho Pontifício para os Leigos, da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, da Congregação para os Bispos, da Congregação para a Evangelização dos Povos, da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos

Trata-se portanto de documento aprovado em forma específica pelo Santo Padre, ou seja, com força de lei, assinado também pelos prefeitos, presidentes e secretários de todas as congregações vaticanas que possam ter algo a ver com o assunto. É Lei da Igreja!

Ora, o que podemos perceber nela?

1 - O uso de ministros extraordinários da Sagrada Comunhão (também chamados "ministros extraordinários da Eucaristia") só pode ocorrer quando não há padre, ou quando o padre estiver realmente impedido.

2 - O uso habitual destes "ministros" é proibido, e não pode ser justificado pela quantidade de pessoas que normalmente vão à Missa. O Santo Padre ensina que fazê-lo é estender "arbitrariamente o conceito de numerosa participação".

3 - Foram revogadas quaisquer autorizações que tenham já sido dadas para que os Senhores Bispos usem Ministros leigos extraordinários de forma habitual na distribuição da Sagrada Comunhão.

O que podemos fazer a respeito disso?

1 - Lembrar aos sacerdotes e bispos que estão desobedecendo à Lei da Igreja, o que é pecaminoso, ao usar de forma habitual ministros leigos na distribuição da Sagrada Comunhão.

2 - Mostrar a todos o que a Lei da Igreja manda fazer.

3 - Não receber a comunhão ilicitamente das mãos de um leigo; o ideal é evitar as paróquias onde esta prática ocorre, se isto for possível.

Fonte: Hora de São Jerônimo.