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sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que era a Inquisição?

Era o Tribunal para investigar e fazer castigar a heresia. Usa-se o termo especialmente para duas instituições: a Medieval ou Papal e a Espanhola. Foi também outrora usado como titulo de uma Congregação Romana, conhecida hoje como o Santo Oficio.

1. A Inquisição Medieval desenvolveu-se como instituição nas primeiras décadas do século XIII quando foram constituídos tribunais eclesiásticos para julgar os albigenses (q.v.). De acordo com os decretos do Concílio Francês (1229) presidido por um legado de Gregório IX, em cada paróquia devia se instalar um tribunal eclesiástico constituído de um sacerdote e dois leigos. Estes tribunais locais sob a jurisdição dos bispos foram substituídos pela Inquisição Papal, instituída direta­mente por Gregório IX, confiada por ele aos dominicanos. Entre 1230 e 1235, Gregório IX enviou juízes ou inquisidores (geralmente frades dominicanos) a várias partes da Europa para julgar casos de suspeita de heresia. Estes juizes constituíram a Inquisição Medieval. Embora nomeados pela Santa Sé, só era permitido aos inquisidores trabalhar com a cooperação do bispo diocesano. Quando um acusado de heresia era levado ante a Inquisição, a confissão e o arrependimento davam como resultado apenas um castigo simbólico (por exemplo, uma peregrinação). Se porém o acusado se obstinava em sua heresia, era entregue às autoridades civis para ser punido, pois o estado considerava a heresia uma traição à pátria.

A justiça dispensada pela Inquisição, em comparação com a dos tribunais civis do tempo, era suave, mas em comparação com os padrões modernos parece bárbara. Ao réu era negado o conselho; era admitido o testemunho de hereges e excomungados contra eles; usavam muitas vezes torturas cruéis para arrancar uma confissão. A pena de morte (geralmente pelo fogo, no pelourinho) não era desconhecida, mas não era de nenhum modo tão freqüente como alguns historiadores cheios de preconceitos têm afirmado. A idéia da Inquisição pode se compreender pelo fato de que a Igreja estava pro­curando defender os fiéis, isto é, a sociedade toda contra o que julgava um perigo mortal. As crueldades e injustiças que algumas vezes resultavam na prática, refletem a mentalidade da época, e nada prejudicam o ensinamento dogmático da Igreja, antes pelo contrário, o historiador objetivo que estudar com isenção de ânimo essa época semi-bárbara, verificará que a influência da Igreja foi sempre no sentido de humanizar e suavizar as penas. Os teólogos em geral se mostravam contrários às medidas violentas dos tribunais. Além disto, muitas vezes, interesses políticos se serviram sagazmente dos tribunais inquisitoriais para alcançar seus objetivos. Em épocas mais recentes, quando o protestantismo passou a ser a religião de vários esta­dos europeus, consideraram tudo o que lhes fosse contrário à doutrina, da mesma ou de forma pior. Lutero, Calvino, Zwinglio estabeleceram pe­nas de morte para seus herejes (contraditores).

2. Inquisiçâo Espanhola: era um tribunal segundo o modelo da Inquisição Medieval, fundado em 1478 pelo Rei Fernando de Aragão e a Rainha Isabel de Castela para resolver premente problema local. Os soberanos consideravam a uniformidade religiosa muito desejável e útil ao estado, pelo que fizeram grande pressão sobre os numerosos judeus e mouros para que se tornassem cristãos. Para evitar a expulsão do país, muitos abraçaram o Cristianismo; alguns se tornaram sacerdotes e bispos. Como era natural, uma tal pressão ocasionou muitas pseudo-conversões e assim o rei e a rainha estabeleceram a Inquisição para examinar a sinceridade das convicções cristãs de suspeitos herejes.

Os principais inquisidores eram sempre clérigos aprovados pela Igreja. Judeus e mouros convertidos chamados “cristãos novos” mais facilmente despertavam a suspeita de ter recaído na heresia e eram logo denunciados à Inquisição; os outros cristãos (cristãos velhos) estavam também a ela sujeitos. Outros crimes além de heresia estavam sob a jurisdição deste tribunal. A Inquisição primeiro se esforçava para reconduzir os acusados à fé, mas em caso de recusa obstinada eram condena­dos e entregues ao poder civil para a imposição e execução da sentença. Fortemente influenciada pelo poder civil, a Inquisição tornou-se, às vezes, meio de desembaraçar-se de inimigos políticos indesejáveis e foi, muitas vezes, culpável de crueldades que hoje em dia são consideradas desumanas. Foi ab-rogada em 1835.

3. O Santo Oficio, uma das Congregações Romanas. Foi fundado por Paulo III, em 1542, para combater a heresia. Tem suas raízes nos tribunais romanos existentes desde o fim do século XII e especialmente em um tribunal romano local chamado a “Inquisição Romana”, fundado por Inocêncio III no século XIII, para combater os albigenses. No século XVI, por causa dos progressos do Protestantismo, Paulo III reorganizou a Inquisição Romana fazendo-a o supremo tribunal doutrinário para todo o mundo. A palavra inquisição, que foi incorporada ao titulo do tribunal reorganizado em 1542, caiu no começo do século XX. Chamava-se então Santo Ofício, mas em 1966 o nome foi mudado para o de Congregação para a Doutrina da Fé.

Dicionário Prático de cultura católica, bíblica e geral.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Do desapego de si mesmo.

Santo Afonso Maria de Ligório

O desprendimento mais importante e necessário é o de si mesmo, isto é, da própria vontade. Quem sabe vencer-se a si mesmo, facilmente vencerá a todas as outras dificuldades. A vitória sobre si mesmo era o que São Francisco Xavier recomendava mui particularmente a todos os que aspiravam à perfeição. E o divino Salvador a impõe como dever a todos os que desejam segui-lo: “Se alguém quiser seguir-me, abnegue-se a si mesmo” (Mt l6, 24). O compêndio de tudo o que devemos fazer para nos salvar é esta palavra única: Abnegação própria.

Nós devemos amar a Deus da maneira que lhe agrada e não como nos apraz. Deus quer que nossa alma esteja vazia de tudo, para que a possa encher com seu amor e uni-la a si. Santa Tereza diz que a oração da união não é outra coisa que a indiferença a mais completa a respeito das coisas do mundo, junto com o desejo de possuir unicamente a Deus. É certo que Deus tanto mais intimamente nos unirá consigo e nos encherá com sua presença, quanto mais completamente renunciarmos às inclinações naturais, por seu amor. Muitos desejam, sim, chegar à união perfeita com Deus, mas não querem suportar as adversidades que Nosso Senhor lhes envia; não querem sofrer nem pobreza, nem injúrias. Ora, enquanto não se entregarem sem restrição à vontade de Deus, não chegarão à união perfeita.

“Para se chegar à perfeita conjunção com Deus”, diz Santa Catarina de Gênova, “deve-se passar por tribulações. Estas são os meios de que Deus se serve para nos purificar de todas as más inclinações. As injúrias, o desprezo, as doenças, a pobreza, as tentações, as contrariedades nos são enviadas só para que tenhamos ocasiões bastantes de combater e subjugar as nossas paixões, de tal forma que desapareçam por inteiro. Não basta as adversidades nos parecerem menos desagradáveis, é preciso que o amor divino no-las torne doces e desejáveis, para chegarmos à perfeita união com Deus”. Ajunto ainda o que nos recomenda São João da Cruz, para atingirmos essa conjunção íntima e completa com Deus: “Devemos mortificar cuidadosamente os próprios sentidos e desejos. Quanto aos sentidos, devemos renunciar, por amor de Jesus Cristo, a toda a satisfação que não tem por fim a glória de Deus. Se, por exemplo, sentimos o desejo de ouvir ou ver coisas que não são próprias para nos aproximar de Deus, devemos renunciar a elas incontinenti. Quanto aos desejos, devemos procurar sempre o que é mais penoso, mais desagradável, mais pobre, sem aspirar à outra coisa que a padecer e ser desprezado”.

Numa palavra: Quem ama verdadeiramente a Jesus, expele de seu coração todo o apego aos bens terrenos e procura desprender-se de tudo para unir-se mais perfeitamente com seu Salvador. Todos os seus desejos só têm a Jesus por objeto, sempre pensa nele, sempre suspira por ele, em todo o lugar e ocasião só a Jesus deseja agradar Para se chegar, porém, a esse ponto, deve-se tratar de expulsar do coração toda a afeição que não tende para Deus. Que deve mais fazer uma alma para se entregar incondicionalmente a Deus? Primeiro, evitar tudo o que possa desagradar a Nosso Senhor e fazer tudo o que lhe é agradável. Segundo, aceitar, em santo abandono, tudo o que lhe enviar sua santa mão, por mais duro e incômodo que seja. Terceiro, preferir, em todas as coisas, a vontade de Deus à própria. Dessa forma sacrifica-se ela por inteiro e sem reserva a seu Deus e Senhor.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Bi-ritualismo : Missa Nova e Missa Tradicional.

A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do Sacrifício da Cruz.
A Santa Missa foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, na véspera de sua Paixão, quando celebrou a Última Ceia com seus Apóstolos. Jesus Cristo instituiu, então, o rito (conjunto: cerimônia e preces) essencial da Missa. No decurso dos primeiros séculos, assistida pelo Espírito Santo, a Igreja foi colhendo dos Apóstolos e depois dos seus mais santos doutores, os Santos Padres, as orações e as cerimônias que deviam acompanhar a celebração da Missa, explicitando as verdades da Fé que ela encerra, orientada pelo célebre princípio : “lex credendi, lex orandi”: a lei da Fé deve estabelecer a lei da oração.

Foi assim, nesse processo vital, que se formou a maravilhosa liturgia romana da Santa Missa. Em 1570, o Papa São Pio V, por determinação do Concílio de Trento, prescreveu, de modo obrigatório, a todos os padres de rito latino e para sempre – exceção feita para algumas liturgias bicentenárias -, celebrar a Missa conforme esse rito apostólico da Igreja. Com esta prescrição erguia-se uma “barreira instransponível contra qualquer tentativa de atacar o mistério” (Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci) da Santa Missa.

De fato, sempre houve um paralelismo entre a norma de agir da Igreja e da heresia. Como a Liturgia serve não somente para o culto divino mas também para a profissão e difusão da fé católica, assim os hereges se aproveitam da Liturgia para deturpá-la no sentido que lhes sirva para fixação e difusão de seus erros. Pode-se dizer que cada heresia tem sua expressão litúrgica. É isto o que demonstra o Pe. Manuel Pinto, S.J., em seu livro “O Valor teológico da Liturgia”, art. II.

Não tem sido diversa a atitude dos hereges de nosso século, procuram ansiosamente corromper a fé através da deturpação da liturgia. Denunciaram e condenaram esta manobra os Papas São Pio X na Encíclica Pascendi e Pio XII, na “Humani Generis”, “Mystici Corporis”  e “Mediator Dei” .
A partir do Concílio Vaticano II (1962), no entanto, foi determinada uma reforma total da liturgia, para amoldá-la ao espírito ecumênico do Concílio: retirar da liturgia da Missa tudo quanto pudesse ser obstáculo ao diálogo com as outras religiões. A reforma foi empreendida por uma Comissão de Liturgia composta de pessoas não muito preocupadas com a pureza da Fé, isto é, peritos liturgicistas (Pio XII condenou o liturgicismo) e seis pastores protestantes. Ronald Jasper foi um dos protestantes que fizeram parte do Consilium de Liturgia do qual saiu a missa nova: “Nós tínhamos sempre uma reunião informal com os Peritos que haviam preparado os projetos, e nessas reuniões éramos autorizados a comentar, criticar e dar sugestões” (carta a Michael Davies, 10/02/1977). Surgiu então, a nova Liturgia da Missa – Novus Ordo Missae -, que ficou conhecida como missa nova ou missa de Paulo VI. Promulgada por este Papa, em 1969, ela foi imposta a toda a Igreja, em substituição à Missa de sempre.

Por que uma nova missa?

Eis o testemunho insuspeito do presidente da Comissão de Liturgia, principal responsável pela nova Missa, Aníbal Bugnini: “a oração da Igreja não deve ser estorvo para ninguém” é portanto, necessário “remover todas as pedras que possam constituir mesmo uma sombra de risco de obstáculo ou de desagrado para os nossos irmãos separados” – quer dizer de outras religiões – (L’Osservatore Romano, 13/10/1967). E este jornal oficial da Santa Sé anunciava com satisfação: “a reforma litúrgica deu um passo notável para a frente e houve uma aproximação das formas da Igreja luterana”. No mesmo sentido fala o teólogo, amigo confidencial de Paulo VI, Jean Guitton:
“A intenção de Paulo VI, a respeito da liturgia católica, foi reformá-la de modo a quase coincidir com a liturgia protestante (…)

Repito, Paulo VI fez tudo quanto estava em seu poder para aproximar a missa católica – afastando-se do Concílio de Trento – da Ceia protestante (…) Há em Paulo VI uma intenção ecumênica de apagar, ou ao menos corrigir, ou de abrandar, o que na Missa há de demasiadamente católico, no sentido tradicional, e de aproximar a Missa católica da missa Calvinista” (Emission de Radio-Courtoisie 61 bd Murat, 75016 Paris, 19/12/1993).

De fato, a nova missa atenua as principais verdades da Fé contidas na Santa Missa, que desagradam aos protestantes : Presença Real de Jesus Cristo, Sacrifício Propiciatório, Sacerdócio Hierárquico, Transubstanciação (conf. folhetos “Sessenta Razões” e “Missa Nova, um caso de Consciência”, dos Padres de Campos).

A Missa nova foi recebida pacificamente na Igreja?

As reações foram inúmeras. Até Cardeais e bispos, inúmeros sacerdotes e fiéis de todas as partes denunciaram o caráter ambíguo, ecumênico, nocivo da missa nova.

Mesmo assim, ela foi imposta e quem ousava recusar celebrá-la era posto fora dos cargos eclesiásticos, tido como desobediente, cismático… Estes católicos, inúmeros em todo o mundo, passaram a ser conhecidos como tradicionalistas, por conservarem a Liturgia e a doutrina da Tradição apostólica da Igreja; por rejeitarem o ecumenismo do concílio Vaticano II e sua expressão litúrgica, a Missa Nova.

A Missa de sempre, Missa de todos os santos e todos os papas até Paulo VI, consagrada por um uso bi-milenar na Igreja, passou a ser tida como proibida, proscrita. Admitiam-se as piores profanações no altar, dentro das igrejas, jamais a Missa tradicional.

“Um indulto”
 
Diante do expressivo crescimento do movimento tradicional de adesão à Missa e à doutrina de sempre, em todo o mundo, nos anos seguintes, Roma se viu constrangida a dar um passo atrás. Em 1984, o Papa João Paulo II concedeu um indulto, autorizando, mediante certas condições, celebrar a missa tradicional.
Mas este indulto, além de desnecessário – porquanto o Papa São Pio V em 1570 já concedera um indulto perpétuo, nunca validamente revogado, nem por Paulo VI -, continha uma restrição incompatível com a consciência católica : a aceitação da legitimidade e exatidão doutrinária da missa nova :
“Conste publicamente, sem ambigüidade alguma, que o referido sacerdote e os respectivos fiéis (que usarem do indulto)não compartilhem em nada da atitude daqueles que põem em dúvida a legitimidade e exatidão doutrinária do missal romano promulgado pelo Romano Pontífice Paulo VI, em 1970″ (Epist. “Quatuor ab hinc annos”, 3/10/1984).

Os bispos se encarregaram de ampliar mais essas restrições de modo que poucos padres realmente chegaram a pedir o “indulto”.

Ecclesia Dei e bi-ritualismo

Mas, no dia 30 de junho de 1988, Dom Marcel Lefebvre e Dom Antonio de Castro Mayer sagraram bispos para a sobrevivência da Tradição Católica.

Dois dias depois, o Papa João Paulo II criou uma Comissão Romana, a “Ecclesia Dei”, destinada a “recuperar” aqueles tradicionalistas que não apoiassem as sagrações. O Papa exortava então os bispos a uma “mais ampla e generosa aplicação” do Indulto concedido em 1984 (conf. Carta Apostólica “Ecclesia Dei”, L’Osservatore Romano, 10 de julho de 1988).

Quais as verdadeiras intenções da Comissão Ecclesia Dei?

“A Comissão Ecclesia Dei tem a intenção de agir de sorte a inserir, da melhor maneira possível, os católicos tradicionais nas estruturas existentes na Igreja” (carta da Comissão, de 23 de Novembro de 1990, em Fideliter 80, março/abril 1991, p. 70).

“O Motu proprio Ecclesia Dei convida os bispos a levar em conta a sensibilidade de certos grupos mas, de nenhuma maneira, ela deve ser um meio de restabelecer o rito de antes do Concílio e de ser um obstáculo à reforma litúrgica desejada pelo Vaticano II (…) A liturgia de Paulo VI [que] é a liturgia oficial da Igreja e o sinal da comunhão de todos os fiéis em torno de seu bispo”(carta da Comissão “Ecclesia Dei” de 12 de fevereiro de 1992, em Fideliter, 96, novembro-dezembro de 1993, p. 26).

Portanto : inserir os tradicionalistas nas estruturas vigentes na Igreja – liberdade religiosa, ecumenismo, missa nova e tantas outras novidades pós-conciliares.

Vários grupos tradicionais da Europa passaram a ter contato com a Comissão e a ter “autorização” para celebrar a missa tradicional, sempre nas condições estabelecidas pelo Indulto de 1984: sem ter contato com os que põem em dúvida a legitimidade e exatidão doutrinária da missa nova. Na Europa, destacam-se a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei, o Mosteiro de Barroux. Aqui no Brasil, padres ligados à TFP e alguns “conservadores”.

Esses grupos da Ecclesia Dei formaram então uma espécie de linha média : celebram (ou assistem) a missa tradicional, reconhecendo porém, a legitimidade e exatidão doutrinária da missa nova. É o chamado bi-ritualismo : missa nova e missa tradicional, os dois ritos convivendo pacificamente na Igreja.

Que dizer do bi-ritualismo?

1 – O bi-ritualismo envolve a aceitação, pelo menos implícita, da legitimidade e exatidão doutrinária da missa nova de Paulo VI. De fato, a Ecclesia Dei concede autorização para a Missa tradicional, mediante a aplicação do indulto concedido por João Paulo II, que contém esta restrição (conf. “Epist. Quator ab hinc annos” 1984).

2 – O bi-ritualismo envolve o reconhecimento de que o rito oficial da Igreja, a partir de 1970, é a Missa nova de Paulo VI. A Missa tradicional seria apenas uma exceção para os de sensibilidade tradicionalista. “A liturgia de Paulo VI é a liturgia oficial da Igreja” (Carta da Comissão Ecclesia Dei, 12 de fevereiro de 1962).

3 – O bi-ritualismo é um perigo para a fé. Porquanto põem padres e fiéis num perigoso contato com o progressismo reinante na Igreja: com o novo catecismo, com o novo Código de Direito Canônico, com o novo Martiriológio (que está para vir) no qual deverão constar personagens de outras religiões, com os Sacramentos administrados em novo rito, com as novas orações e cânticos, com a nova teologia dogmática e moral dos novos sacerdotes formados nas universidades profanas. Este contato é sobretudo perigoso para os fiéis simples, para as crianças.

4 – O bi-ritualismo é uma ilusão, uma miragem. Com o bi-ritualismo, a intenção das autoridades eclesiásticas não é, de modo algum, voltar à Tradição da Igreja, nem mesmo dar liberdade aos fiéis à Tradição, mas neutralizar qualquer resistência e “inserir” os tradicionalistas nas estruturas do progressismo, impondo-lhes aos poucos a missa nova. Eis o que afirmava o Papa João Paulo II aos monges do mosteiro de Barroux: “A Santa Sé concedeu a vosso mosteiro a faculdade de usar os livros litúrgicos em uso em 1962 (missa tradicional)… É bem evidente que longe de procurar frear a aplicação da reforma empreendida após o Concílio (missa nova), esta concessão é destinada a facilitar a comunhão eclesial das pessoas que se sentem ligadas a estas formas litúrgicas” (L’Osservatore Romano, 2/10/1990 – ed. francesa).

E um dos bispos de Paris, Dom Vingt-Trois, declarou ao Pe. Christian Bouchacourt, da Fraternidade São Pio X, no dia 8 de janeiro de 1997: “A intenção do Papa e do Cardeal de Paris com essa autorização da missa antiga, é levar todos os católicos de sensibilidade tradicionalista à eclesiologia do Concílio Vaticano II”.

Perguntado até quando durariam tais autorizações, Dom Ving-Trois respondeu: “Até à extinção desses católicos”. Em 1989, a um padre que pedia autorização para celebrar apenas uma Missa conforme o rito tradicional, num capela de um colégio de São Paulo, o Cardeal respondia : “Fica concedida a licença ao Revmo Pe. X de celebrar a Santa Missa de 7º dia do senhor seu pai na Capela X. às 12 horas do dia 8. O Revmo Sacerdote celebrará a Santa Missa seguindo o rito de São Pio V, contanto que o mesmo e as pessoas aceitem as decisões do Concílio Vaticano II.”

Dom Raffin, bispo de Metz, afirma : “A situação atual é um parêntese misericordioso para as pessoas que devem se apropriar progressivamente do Ordo Missae de Paulo VI, porque não se trata de fazer do rito tridentino (missa tradicional) um novo rito latino como ele existiu e ainda existe” (La Nef, nov. 1992)

O bi-ritualismo é, portanto, uma ilusão, uma miragem. Aos poucos, os bi-ritualistas serão levados a celebrar habitualmente a missa nova.

5 – O bi-ritualismo é uma armadilha. De fato, todos os grupos tradicionais que fizeram acordo já estão se alinhando ao progressismo. O superior do Instituto Cristo Rei apareceu numa foto concelebrando a missa nova. Ele esteve no Brasil no ano de 1997 fazendo conferência na TFP, da qual recebeu empolgante elogios. As Constituições desse Instituto são baseadas no Concílio Vaticano II, como demonstrou a revista “Sel de la terre”. Alguns destes ex-tradicionalistas já distribuem a comunhão na mão. O abade do Barroux também concelebra a missa nova. Os padres da TFP aqui na diocese já assistem à Missa nova, levam seus fiéis à missa nova, aceitam que o bispo diocesano, ao visitar suas paróquias, celebre a missa nova para suas comunidades.

Representantes destes grupos já são favoráveis à liberdade religiosa do Vaticano II, ao novo Catecismo.
Portanto, o bi-ritualismo além de ser uma ilusão, é perigosa armadilha para se cair no progressismo.

6 – O bi-ritualismo é uma grave falta de caridade. Quando a Igreja é atacada publicamente, sobretudo em algo essencial como a Fé, temos o dever de defendê-la publicamente. Ora a Missa nova é um dos mais duros golpes desferidos contra a Igreja, contra a Fé da Igreja, em toda a sua História. Portanto, todos, leigos e eclesiásticos, temos o dever de defender publicamente a Santa Igreja do golpe desferido pela Missa nova.
Na história dos mártires vemos, com freqüência, que, diante dos tormentos, seus familiares vinham propor-lhes uma atitude conciliatória: ceder só externamente diante dos tiranos, para se verem livres dos tormentos, conservando internamente a fé e a rejeição ao erro que lhes era imposto. No entanto, eles só mereceram a coroa do martírio, porque se negaram a essa atitude de convivência com o erro.

Essa parece ser a proposta feita hoje aos católicos tradicionais: “procurem a Ecclesia Dei, façam um acordo pro forma, comprometam-se a não ter nem mesmo contato com aqueles que “põem em dúvida a legitimidade e exatidão doutrinária da missa nova”; depois deste compromisso, continuem a criticar a Missa nova, “intra muros”.

Santa Cirila, mártir da Líbia, “por muito tempo conservou brasas com incenso sobre a mão imóvel, para que, sacudindo as brasas, não parecesse ter sacrificado incenso aos ídolos” (Martirológico Romano, 6 de julho).

Exemplo perfeito para o católico de hoje. Não basta internamente, de maneira privada, rejeitar a missa nova. As autoridades eclesiásticas, os fiéis, de qualquer parte e de qualquer tempo, precisam de nosso testemunho, precisam saber que nós rejeitamos a Missa nova. Esta é a única maneira válida para colaborarmos na defesa da Santa Igreja, no que Ela possui de mais essencial, o Santo Sacrifício da Missa. Nunca, nem no presente, nem no futuro, alguém poderá constatar que a Missa nova foi aceita pacificamente por toda a Igreja, porque a Providência divina suscitou uma heróica resistência, desde sua promulgação, em 1969.

Depois daqueles que nos precederam no sinal da Fé, como Dom Antonio de Castro Mayer e Dom Marcel Lefebvre, e tantos outros bispos, sacerdotes e fiéis, hoje é a nossa vez de dar o testemunho de defesa da Igreja, resistindo à missa nova.

Continuemos o bom combate da Fé! Continuemos a dizer não à Missa nova!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Milagre Eucarístico de Lanciano.


A antiga Anxanum dos “Frentanos” (povo da Roma antiga) conserva, depois de mais de doze séculos, o primeiro e maior Milagre Eucarístico da Igreja Católica. O Milagre aconteceu no século VII d.C., na pequena igreja de S. Legonziano, pela dúvida que teve um monge da Ordem Basiliana sobre a verdadeira presença do Cristo na Eucaristia. Durante a celebração da Santa Missa, depois da consagração, a hóstia transformou-se em Carne viva e o vinho tornou-se Sangue vivo, aglutinado em cinco glóbulos irregulares e de diversas formas e tamanhos.

A Hóstia-Carne, como se pode ver muito bem hoje em dia, tem o mesmo tamanho da hóstia maior usada na Igreja latina, é de côr levemente escura e torna-se rósea quando posta contra a luz.

O Sangue é coagulado, de côr pálida tendente ao amarelo-ocre.

A Carne fica guardada, após 1713, num artístico ostensório de prata, elegantemente cinzelado, da escola napolitana.

O Sangue fica dentro de uma rica e antiga âmbula em cristal de rocha.

Os frades Menores Conventuais guardam o Milagre desde 1252, por vontade de Landulfo, bispo da vila de Chieti, e com bula pontifícia de 12 de Maio de 1252.

Os monges da Ordem de São Basílio guardaram o Milagre até 1176 e os Beneditinos até 1252.

Em 1258 os Franciscanos construiram o santuário atual, que foi transformado em 1700 de românico-gótico em barroco.

O “Milagre” foi colocado antes numa Capela ao lado do altar maior e depois, desde 1636, num altar lateral da Nave, onde ainda se conserva a antiga custódia de ferro lavrado e a epífrage comemorativa.

Desde 1902 o Milagre está custodiado no secundo tabernáculo do altar monumental, erigido pelo povo de Lanciano no centro do presbitério.

Após várias inspeções efetuadas pela Igreja a partir de 1574, um exame científico foi efetuado em 1970-71 e outra vez em 1981 pelo Professor Odoardo Linoli, catedrático da Anatomia e Histologia Patológica e Química e Microscópica Clínica., coadjuvado pelo Professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena.

Os resultados das análises, efetuadas de forma rigorosamente científica e documentadas por uma série de fotografias ao microscópio, são os seguintes:

A Carne é carne verdadeira. O Sangue é sangue verdadeiro.

A Carne e o Sangue pertencem à espécie humana.

A Carne é um CORAÇÃO completo na sua estrutura essencial.

A Carne contém, em seção, o miocárdio, o endocárdio, o nervo vago, e, no considerável espesor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo.

A Carne e o Sangue pertencem ao mesmo grupo sangüíneo: AB (mesmo grupo sangüíneo encontrado no Santo Sudário).

As proteínas observadas no Sangue encontram-se normalmente fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do sangue vivo normal.

Encontram-se no sangue os seguintes elementos: Cloreto, Fósforo, Magnésio, Potássio, Sódio e Cálcio.

A preservação da Carne e do Sangue milagrosos, deixados ao estado natural durante doze séculos e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos, e biológicos constitue um Fenômeno Extraordinário.

Ao final, podemos dizer que a ciência chamada em causa, forneceu uma resposta certa e exauriente a respeito da autenticidade do Milagre Eucarístico de Lanciano.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Qual o principal erro da Teologia da Libertação?


Nas últimas semanas de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI condenou novamente a Teologia da Libertação (TL). Nas palavras do Pontífice a TL realiza uma interpretação inadequada da Bíblia, nega-se a pregar o evangelho, direciona a estrutura da Igreja para atividades que são incompatíveis com o cristianismo e o mais grave, elimina a fé que existe nos fiéis.

Oficialmente a TL procura exprimir a fé cristã num contexto social marcado pela pobreza e pela injustiça social. É preciso ter consciência que para a TL são os pobres que marcam o lugar da ação histórica e do encontro com Deus. Nesta perspectiva, a fé cristã só adquire substância histórica quando considera os pobres e excluídos como desafio incontornável e, portanto, é imperioso haver a opção preferencial pelos pobres. Ninguém, nem mesmo o Papa Bento XVI, condena ou critica a Teologia da Libertação por se dedicar a libertação dos pobres e demais grupos socialmente excluídos. Historicamente a Igreja cometeu erros, mas qualquer historiador ou sociólogo que tenha o mínimo de honestidade irá afirmar que a Igreja foi uma das instituições, na sociedade ocidental, que mais promoveram a integração humana e, por conseguinte, a emancipação dos injustiçados.

Aparentemente há uma contradição entre a condenação oficial da Igreja emanada principalmente pelo Papa Bento XVI e o discurso oficial da Teologia da Libertação.

Afinal, qual o principal erro da Teologia da Libertação?


Sinteticamente serão apontados três erros da Teologia da Libertação.



Primeiro, a TL afirma que o pobre é o lugar de Salvação e, por isso, a Salvação se dá por meio do pobre. Isso contraria gravemente os ensinamentos bíblicos e a doutrina da Igreja. Para a Bíblia e a para a Igreja o lugar da veracidade da teologia é toda a humanidade, com todos os seus grupos e segmentos sociais e, não apenas o pobre. Cristo veio para toda a humanidade e não apenas para os pobres, justamente porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3, 23). Jesus Cristo não é o Salvador apenas de uma classe social (o proletariado) e de um grupo social (os pobres), mas de toda a humanidade. Ele não salva apenas a vida material (comer, vestir, etc), mas salva o homem em sua totalidade (vida econômica, emocional, espiritual, estética, etc).

Segundo, em grande medida libertar o homem da pobreza significa oprimi-lo dentro de novas formas de sofrimento físico e espiritual. As populações da Europa e de outras partes do planeta que conseguiram se libertar da pobreza atualmente vivem sob o jugo de novas opressões (terrorismo, depressão, suicídio, individualismo, ditadura da mídia, morte da democracia, etc). Jesus Cristo sabe que o libertador de hoje fatalmente é o opressor de amanhã.

Terceiro, o real intuito da TL não é libertar o pobre. Se realmente a Teologia da Libertação desejasse libertar o pobre, ela não apoiaria abertamente regimes tirânicos como Cuba e a Coreia do Norte. O pobre não passa de massa de manobra dentro dos planos da TL. O que realmente ela deseja é implantar na América Latina um regime fechado nos moldes de Cuba. Na prática a Teologia da Libertação funciona como uma cabeça de ponte, ou seja, de um lado, é uma forma de ideias e doutrinas não cristãs entrarem dentro da Igreja. Entre essas doutrinas cita-se: o secularismo, o ateísmo, a defesa de um Estado totalitário e, por causa disso, a opressão de toda a população. A TL funciona como uma espécie de idiota útil, ou seja, deve legitimar o discurso opressor oriundo do totalitarismo. Sendo que essa legitimação é feita por meio da estrutura da Igreja e de uma indevida interpretação da Bíblia. Do outro lado, a Teologia da Libertação funciona, a nível latino-americano, como um grande palanque político da esquerda. Não é crime uma facção religiosa ter uma ideologia política. Muitos grupos religiosos adotam posições e ideias políticas. O grande problema é que a TL afirma defender o pobre. Na prática o que realmente ela deseja é angariar a simpatia e os votos dos pobres para a esquerda.

A Teologia da Libertação simplesmente ignora que historicamente foi a esquerda quem persegui e matou milhões de cristãos em todo o mundo. Grande parte dos sofrimentos que a Igreja sofreu nos últimos duzentos anos se deve à esquerda. A esquerda é a grande propagadora, a nível mundial, do ateísmo e de doutrinas anticristãs. Entretanto, tudo isso não interessa a TL. A Teologia da Libertação está mergulhada num mar de alienação, de totalitarismo e de doutrina marxista anticristã. O Papa Bento XVI está correto ao condenar essa facção teológica.

Por fim, é preciso afirmar que sem dúvida a teologia e, portanto, toda a Igreja devem estar preocupadas e empenhadas em combater a pobreza, principalmente a pobreza extrema que causa a morte física do indivíduo. A sociedade cristã não pode admitir a existência de pobres e de pessoas morrendo de fome. Entretanto, a luta contra a pobreza deve ser feita por meio da doutrina social da Igreja e não por meio da ideologia marxista, opressora e totalitária defendida pela Teologia da Libertação. Os países que a TL apresentam como modelos (Cuba, Coreia do Norte, Venezuela) não extinguiram a pobreza. Os modelos de homens propostos pela TL (Marx, Che Chevara, Fidel Castro, etc) são pessoas que trouxeram para seus países a morte e a destruição. Quem realmente deseja combater a pobreza deve ter como modelo Jesus Cristo, a Virgem Maria e os santos. Além disso, deve colocar em prática a doutrina social da Igreja.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Santa Sé responde aos Bispos brasileiros que se opõem à Missa de sempre.

Navegando na Internet no site da Montfort - Associação Cultural, vi um artigo que me interessou em relação a negação da Santa Missa na forma Extraordinária do Rito Romano.
Vejamos:

É bem conhecida a teimosa oposição de alguns Bispos brasileiros – em geral de tendências modernistas – ao Papa Bento XVI, criando obstáculos a que sacerdotes celebrem a Missa de sempre para os fiéis que a pedem.
Argumentam esses Bispos que não permitem a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum porque - dizem - os padres e o povo não conhecem suficientemente o latim.
Se o argumento anunciado fosse válido, em muitos lugares não se poderia celebrar a Missa em português, se considerarmos o parco conhecimento do vernáculo por parte do povo e, mesmo, de certos padres.
Encontrei vários padres que não sabem o que significa a expressão: “O Senhor esteja convosco” ...
Recentemente um sacerdote se recusou a me responder essa mesma questão com a esfarrapada desculpa que só queria me ouvir e não admitia ser interrogado sobre tema, diria eu,... tão “comprometedor”...
Na verdade, a exigência de um conhecimento maior de latim é mero pretexto para dizer "não" ao que o Papa mandou.
Agora, repetindo-se as queixas dos fiéis à Santa Sé, veio uma resposta de Roma, dando inteira razão aos que pediam a Missa de sempre, em latim, e de costas para o povo.
Chegou, nestes dias, a resposta de Monsenhor Guido Pozzo, novo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a um jovem do interior paulista, que colocou perguntas pertinentes e respeitosas às autoridades romanas.
Esssa resposta de Monsenhor Guido Pozzo — parece que a primeira desde que ele assumiu seu novo posto — teve enorme repercussão no mundo inteiro.
Monsenhor Pozzo, como o Cid, quis iniciar sua carreira “par um coup de maître”.
Se esse golpe inicial indicar uma tendência, os modernistas que se cuidem.
Inúmeros sites e blogs se apressaram a publicar essa carta de Mons Pozzo, pois ela indica uma retomada da ofensiva do Papa a favor da Missa de sempre.
Com essa resposta, a “muralha de fumaça” erguida pelos Bispos filo modernistas brasileiros se esvaiu como neblina em ventania. Depois dessa carta do novo Secretáro da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, ficará quase impossível aos Bispos proibirem padres de celebrar a Missa de sempre.
Claro, sempre esses Bispos terão o poder de ameaçar seus sacerdotes de transferência para uma paróquia suburbana onde Judas vendeu suas botas. Mas sempre isso poderá trazer conflitos desagradáveis.
E depois, que fará Roma?
E as promoções episcopais? Ficarão comprometidas?

Eis então a carta que o jovem Carlos Eduardo Monteiro enviou à Ecclesia Dei:

Piracicaba, 29 de abril de 2009

À Comissão Pontifícia Ecclesia Dei

Presidente: Eminentíssimo Reverendíssimo Cardeal Darìo Castrillòn Hoyos
Vice-Presidente: Reverendíssimo Monsenhor Camille Perl

Em muitas Dioceses no Brasil os fiéis têm pedido aos respectivos Bispos a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. No entanto, os Bispos não têm concedido permissão para que algum padre possa celebrar a Missa Tridentina a pedido dos fiéis. E quando se é permitida, faz-se restrição para que apenas os fiéis que saibam o Latim fluentemente possam assistí-la.

Em virtude destes fatos, peço alguns esclarecimentos sobre a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum".

1- Após ter entrado em vigor o Motu Proprio "Summorum Pontificum", é necessária a permissão do Bispo Diocesano para que algum padre possa celebrar a Missa Gregoriana?

2- Os fiéis devem dominar a língua latina para poderem assistir a Missa Gregoriana? Ou bastaria apenas um folheto do missal em formato bilíngüe (Latim - Português) para que os fiéis possam assistí-la?

3- Um grupo pequeno de fiéis (por exemplo: 8 pessoas), embora seja estável, é insuficiente para que seja celebrada a Missa na Forma Extraordinária?

4- O Bispo Diocesano deve cooperar para que o pedido de Missa Gregoriana feito por um grupo estável de fiéis seja realizado?

5- Os fiéis que não fazem parte do grupo estável poderão assistir a Missa Gregoriana?

6- Poderão ser realizados matrimônios na Forma Extraordinária do Rito Romano?

7- Com a publicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum", o Papa Bento XVI deseja que a Missa Gregoriana seja amplamente ofertada nas Dioceses?

8- O Santo Padre deseja que o ensino do Latim volte a fazer parte do currículo dos seminários para que os futuros padres possam celebrar Missas na língua latina?

9- Os Bispos Diocesanos devem seguir as orientações da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei sobre a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum" mesmo que o Núncio Apostólico no Brasil possa, hipoteticamente, emitir opinião contrária?

Despeço-me pedindo a benção de Vossa Eminência Reverendíssima Cardeal Darìo Castrillòn Hoyos e de Vossa Reverendíssima Monsenhor Camille Perl.

Em Cristo,

Carlos Eduardo Monteiro

*****

Como se vê, foram perguntas bem feitas e bem claras.

A essa carta respondeu, agora, o Secretário da Ecclesia Dei, Monsenhor Guido Pozzo, com o seguinte documento:

Pontifícia Comissão Ecclesia Dei

Vaticano, 18 de julho de 2009

Ilmo. sr. Monteiro,
N0 97/ 09

Às questões de sua missiva de 29 de Abril p,p. responde-se, no teor do Motu Proprio “Summorum Pontificum”, quanto segue:

1- O documento pontifício não prevê uma permissão especial do Bispo diocesano para que algum sacerdote celebre a santa Missa na forma extraordinária (art 2);

2- Os fiéis não são obrigados a ter vastos conhecimentos da língua latina, bastando um missal bilíngüe ou qualquer folheto;

3 - O número de fiéis do grupo estável depende muito das circunstâncias locais, as quais mostrarão se um sacerdote possa ou queira, apesar de seus encargos pessoais, se ocupar de um grupo relativamente pequeno;

4 - O Bispo diocesano deve estar de acordo com as diretivas do documento pontifício (art, 5, par.1 e CIC c.392). Outra coisa é verificar a efetiva praticabilidade de acordo com o que prevê o Motu Proprio;

5 - Os fiéis que não fazem parte do “grupo estável” podem, evidentemente, participar da santa Missa na forma extraordinária;

6 - Os matrimônios segundo a forma extraordinária são possíveis de acordo com o pároco (art.9 par. 1);

7 - Quanto à aplicação ampla do documento pontifício numa diocese, basta seguir as indicações do mesmo documento;

8 - Quanto ao ensino do latim nos seminários, conferir a regra sempre válida do atual Código de Direito Canônico: Can. 249: Institutionis sacerdotalis Ratione provideatur ut alumni non tantum accurate linguam patriam edoceuntur, sed etiam linguam latinam bene calleant necnon congruam habeant cognitionem alienarum linguarum, quarum scientia ad eorum formationem aut ad ministerium pastorale exercendum necessaria velantilis videatur;

Em todas as questões ulteriores, sempre se citará o documento pontifício, sendo o Santo Padre a suprema autoridade eclesiástica, a quem por instituição divina, somos ligados por amor, respeito e obediência.

Queira aceitar, sr. Monteiro, os meus protestos de viva estima e consideração no Senhor.
Mons. Guido Pozzo
Secretário.

Pontificia Commissione “Ecclesia Dei” – oo120 – Città del Vaticano
Tel 06 698. 85213 Fax 06.698. 83412

*****
Esta carta, de si, deveria:
1) Incentivar e levar muitos sacerdotes a ter coragem de celebrar a Missa de sempre, sem mais temer perseguições por parte dos Bispos;
2) Encerrar toda resistência dos Bispos às ordens e claros desejos do Papa e da Santa Sé.

Praza a Deus que assim seja.

Porém, uma resistência tão irrazoável e tão contrária à doutrina católica, e tão oposta à obediência ao Papa, como se viu até agora, faz temer que seja a manifestação de algo muito mais profundo: uma doutrina má, que leva muitos a querer destruir o que a Santa Igreja sempre foi.
Que Deus Nosso Senhor ilumine os Bispos brasileiros, levando-os do equívoco à obediência, ou do erro à verdade.
Rezemos por nossos Bispos e pelo Papa Bento XVI!

São Paulo, 29 de Julho de 2009
Orlando Fedeli

****

Para citar este texto:
Orlando Fedeli - "A Santa Sé responde aos Bispos brasileiros que se opõem à Missa de Sempre"
MONTFORT Associação Cultural
Online, 14/02/2011 às 13:24h

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

São Brás.


São Brás - um santo e mártir cristão. São Brás é conhecido como protetor da garganta, justamente porque ao se dirigir para o martírio lhe foi apresentado uma mãe desesperada com seu filho que estava sufocado por uma espinha de peixe entalada na garganta, diante desta situação o Santo curou milagrosamente a criança.

São Brás ora pro Nobis!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pensamentos Meus.

Pensamentos são coisas que as vezes me tiram do sério. Por que você comanda muitas coisas no corpo, mas você não consegue parar de pensar. Eis o meu pensamento:

No dia 27/01(quinta-feira) fui a uma cerimônia de agradecimento a Deus pela fomatura de uma amiga formanda em Fisioterapia. Peguei o metrô e como sempre, fui pensando a viagem toda. Fui pensando na minha vida como seria no decorrer desse ano, já que é o último ano na escola e o primeiro ano para se dedicar a uma faculdade...pensei logo na Faculdade de Psicologia, e também pensei que não me contentaria se não fosse na Universidade Federal do Rio de Janeiro, rs.

Passando por uma estação chamada Maria da Graça, me surpeendi ao olhar para o meu lado direito e ver o número de crianças, adolescentes, adultos e mulheres grávidas usando drogas. Eram muitas as pessoas no meio da estação ferroviária usando. Se via que eles não tinham muitas condições. Eles estavam sujos, com roupas rasgadas, e muitas mulheres grávidas com crianças de colo, fazendo aquilo como se fosse algo natural.

A cena que mais me surpreendeu e comoveu, foi ver dois jovens em particular muito bem vestidos, deveriam ter a faixa etária de 18 a 25 anos. Um deles estava até de terno e o outro fazia mais o estilo "playboy". Aparentemente, os dois tinham uma boa condição financeira.

Meu pensamento em relação ao que vi foi o seguinte: como pode acontecer certas coisas em nossas vidas que nos levam a fazer coisas que não são de Deus?

Eu fico me perguntando isso todos os dias... Muitas pessoas tem tudo do bom e do melhor, mas por que não sabem aproveitar da maneira correta?

Por que a gente simplesmente não agradece a Deus pela vida que temos? Por que não agradecemos pelo pão nosso de cada dia que é posto sobre nossas mesas? Por que não agradecemos por nossos familiares e amigos que todos os dias no recebem de braços abertos? Por que também não agradecemos as nossas dificuldades, alegrias, tristezas, e muitas outras coisas que ocorrem conosco? É tão difícil dizer obrigado a Deus? Por que muitas das vezes o que ele nos proporciona não nos agrada?

Que Deus abençoe a cada um de Nós, e que nossos planos sejam realizados de acordo com a vontade dele. Que a cada dia saibamos dizer a Deus o quanto o amamos seguido de um Muito Obrigado!

Pax Et Bonum!

Augusto Cesar.